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Novo vestibular continua com a exclusão dos filhos dos trabalhadores da universidade pública

Por Fábio Ramirez

Os jornais dizem que sobram vagas nas Universidades Públicas. Um curto estudo mostra a realidade do investimento e das vagas nas universidades

O vestibular é um funil

O vestibular é um funil

Após o vestibular 2010, o primeiro organizado através do SISU (Sistema de Seleção Unificada), programa do Ministério da Educação (MEC) que pretendia “democratizar as oportunidades de acesso às vagas públicas de ensino superior”, segundo informa o site do MEC, podemos constatar que seus objetivos não foram alcançados. A razão é muito simples, o investimento na ampliação do ensino superior público foi insuficiente e praticamente não aumentou as vagas.

O verdadeiro problema persiste: existem muitos estudantes que já se formaram e estão aptos para estudar nas Universidades Públicas, mas enfrentam o problema de poucas vagas disponíveis. O próprio MEC confirma: “793,9 mil candidatos concorreram a 47,9 mil vagas em 51 instituições de ensino superior [público] em todo o país” (os dados não levam em conta algumas instituições públicas que não participaram do SISU, como a USP, Unicamp e algumas federais, que seguem proporções semelhantes).

A missão de “democratizar as oportunidades de acesso às vagas públicas” deixou 746.000 estudantes fora da universidade pública garantindo vagas para apenas 47.900 jovens, essa é a democracia no acesso oferecido pelo MEC!?

A demanda cresce mais que o número de vagas

No vestibular de 1997, a relação era de 7,4 candidatos inscritos por cada vaga oferecida. Em 2001 passa para 9,3 (dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – INEP). Em 2010 chega ao espantoso índice de 16,5 estudantes concorrendo por cada vaga em uma instituição pública de ensino superior (dados do MEC).

É claro que no governo de FHC a Universidade Pública passou pelo pior momento de sua história, com sucateamento e de fato nenhuma nova universidade pública foi criada. O governo Lula, que foi eleito em 2002 para salvar a educação pública, é um governo indiscutivelmente muito melhor que o de FHC, mas não tem conseguido resolver minimamente a questão do funil, aumentando sempre a fatia de estudantes que não conseguem acesso às universidades públicas.

As políticas apresentadas como “democratização do acesso” apenas têm criado uma cortina de fumaça que esconde o real problema da necessidade de abrir mais vagas. Assim tem sido com o ‘Novo Enem’, o ‘SISU’, e também com o ‘ProUni’ e ‘FIES’, que ao fim, destinam milhões dos cofres públicos para o bolso dos empresários da educação, enquanto esse dinheiro poderia ser usado para aumentar as vagas nas universidades públicas. Leia o resto deste post »

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Fim do vestibular de verdade, só com vagas para todos!

Por Fábio Ramirez

O dito ‘fim do vestibular’ anunciado pelo Ministro da Educação Fernando Haddad e apoiado fervorosamente pela UNE e UBES, não passa de uma fraude

No projeto apresentado pelo governo, o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) se tornaria o exame substituto ao vestibular em todas as universidades federais. Em vez dos alunos prestarem uma prova específica da instituição no qual almejam estudar, prestaria o ENEM.

Assim, o governo anuncia o fim das provas locais de seleção como sendo o fim do vestibular, mas “esquece” de avisar aos jovens que o funil continuará existindo porque não está se criando uma só nova vaga! “Esquece” de avisar aos jovens que a maioria esmagadora deles continuará fora da universidade.

O vestibular vai acabar?

Na prática o vestibular não irá acabar e em vez dos jovens serem barrados pelo dito vestibular, serão barrados agora pelo novo ENEM! Nada muda. Antes os cursinhos lucravam com a má qualidade do ensino fundamental e anunciavam na TV e no rádio orgulhosamente os primeiros colocados no vestibular, e agora anunciarão os primeiros colocados no ENEM. Trocaram-se os nomes dos bois, de vestibular para ENEM, mas o boi não deixou de ser boi. Leia o resto deste post »

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É hora de lutar pelo fim do vestibular, mas com vagas para todos!

Vagas para todos no ensino público Já!

Vagas para todos no ensino público Já!

Por Fábio Ramirez

Inicia-se no movimento estudantil secundarista a preparação de uma campanha pelo fim do vestibular, que deve ser aprovada no Congresso da UBES. Essa campanha tem que ser organizada com força total por todas as entidades estudantis, como os Grêmios, os Centros Acadêmico e principalmente as Uniões Municipais, Estaduais, e a UNE/UBES, de modo à atingir todos os estudantes, explicando que a única forma de por fim a esse sistema de seleção que deixa a gigantesca maioria dos jovens fora da universidade pública, é justamente construir mais e mais universidades, com vagas para todos na educação pública superior.

A posição de alguns grupos do movimento estudantil e da direção da UBES é de criar no lugar do vestibular um novo mecanismo de avaliação dito “mais democrático”, mas o fim do vestibular sem a criação de vagas para todos só pode significar um novo funil,  um novo vestibular.

É preciso ainda explicar que outras posições que a direção da UBES vem defendendo, como as cotas raciais nas universidades, o PROUNI e o FIES, são posições que vão contra a luta pelo fim do vestibular de verdade, pois são políticas que não visam a construção de mais vagas nas públicas. A luta da UNE/UBES de ser ‘Livre acesso para todos à educação pública em todos os níveis já!’.

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